VI

O mtodo sinttico ou construtivo

LIDAR com o inconsciente  um processo (ou, conforme o caso, um sofrimento ou um trabalho) cujo nome  
funo 
transcendente, porque representa uma funo que, fundada em dados reais e imaginrios ou racionais e 
irracionais, lana uma ponte sobre a brecha existente entre o consciente e o inconsciente. um processo natural, 
uma manifestao de energia produzida pela tenso entre os contrrios, formado por uma sucesso de 
processos de fantasia que surgem espontaneamente em sonhos e vises. O mesmo processo pode ser 
observado nos estgios iniciais de certas formas de esquizofrenia. A descrio clssica de seqncias desse 
tipo  encontrada na autobiografia Aurlia, de Grard de Nerval. Mas  a segunda parte do Fausto seu mais 
importante exemplo na literatura. O processo natural da unificao dos contrrios serviu-me de modelo e 
fundamento para um mtodo que consiste essencialmente em provocar intencionalmente o que a natureza 
produz inconsciente e espontaneamente e integr-lo  conscincia e seus conceitos. A desgraa de muitos  
justamente no terem meios e caminhos para dominar espiritualmente os fatos que neles se registram. Nesses 
casos torna-se de rigor a interveno mdica, em forma de um mtodo especial de terapia. 
 Como vimos, as teorias mencionadas no comeo deste livro baseiam-se num procedimento redutivo, 
exclusivamente causal, que decompe o sonho (ou fantasia) nos componentes de reminiscncias e nos 
processos instintivos que lhe constituem a base. J mencionei anteriormente o que justifica e o que limita esse 
processo. Ele chega ao fim no momento em que os smbolos dos sonhos no so mais passveis de serem 
reduzidos a reminiscncias ou anseios pessoais, isto, , quando emergem as imagens do inconsciente coletivo. 
Seria insensato querer reduzir tais idias coletivas a assuntos pessoais. No s insensato, mas tambm nocivo, 
como a experincia me tem ensinado de modo doloroso. Foi realmente difcil para mim (s o consegui ao final 
de muitas hesitaes e instrudo pelos fracassos) abandonar a orientao exclusivamente personalstica da 
psicologia teraputica, no sentido indicado. Em primeiro lugar, tive que me convencer profundamente de que a 
anlise, na medida em que se restringe  decomposio, deve ser necessariamente seguida por uma sntese. 
Em segundo lugar, tive de me convencer da existncia de um material psquico praticamente desprovido de 
significado quando simplesmente decomposto, mas que encerra uma plenitude de sentido ao ser confirmado e 
ampliado por todos os meios conscientes ( a chamada amplificao). Os valores das imagens ou simbolos 
do inconsciente coletivo s aparecem quando submetidos a um tratamento sinttico. Como a anlise 
decompe o material simblico da fantasia em seus componentes, o processo sinttico integra-o numa 
expresso conjunta e coerente. Este processo no  simples. Por isso resolvi ilustr-lo com um exemplo. 
Uma cliente que se encontrava exatamente no ponto crtico do limite entre a anlise do inconsciente pessoal e 
o despontar dos contedos do inconsciente coletivo teve o seguinte sonho: quer passar para a outra 
margem de um rio. No h ponte por perto. Mas ela encontra um lugar onde a passagem  
possvel. No momento de atravessar, um caranguejo enorme, antes escondido dentro da 
gua, agarra seu p e no o solta mais. Amedrontada, ela acorda. 
Associaes 
Rio: constitui uma fronteira difcil de atravessar; preciso transpor um obstculo; refere-se provavelmente ao 
fato de eu s avanar lentamente; seria necessrio que eu chegasse do outro lado. 
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Interpretao analtica (causal-redutiva) 
 Viu: uma oportunidade de atravessar em segurana; um caminho possvel; caso contrrio, o rio 
seria largo demais; na terapia existe a possibilidade de superar o obstculo. 
 Caranguejo: estava bem escondido dentro da gua e no o tinha visto antes; o cncer (caranguejo)  uma 
doena terrvel, incurvel (lembra-se do caso de X, que morreu de um carcinoma); tenho medo dessa doena; o 
caranguejo  um animal que anda para trs; e, pelo visto, quer me puxar para dentro do rio; ele me agarrava com 
tanta fora que fiquei terrivelmente apavorada; o que  que me impede de atravessar?; ah, ! tive de novo uma 
briga tremenda com minha amiga. 
Essa amiga tem muito a ver com o caso. Trata-se de uma amizade de muitos anos, arrebatada, nas raias do 
homossexualisxno. A amiga  parecida com a paciente em muitos pontos, e tambm  nervosa. Tm, 
manifestamente, interesses artsticos em comum. Das duas, a minha cliente tem a personalidade mais forte. 
Como a relao entre elas  de excessiva intimidade e exclui em demasia outras possibilidades de vida, ambas 
so nervosas. Apesar de uma amizade ideal, suas brigas so violentas, devido  irritabilidade recproca. Com 
isso, o inconsciente quer distanci-las uma da outra. Mas elas no querem perceber isso. Em geral o escndalo 
comea quando uma delas acha que ainda no se compreendem o suficiente, que  preciso um entendimento 
mais profundo, e tentam abrir-se uma  outra, muito entusiasmadas. Como  bvio, o desentendimento no 
tarda. E isso provoca outra cena, bem pior do que a anterior. Faute de mieux, durante muito tempo a briga era 
para ambas um sucedneo do prazer a que no estavam dispostas a renunciar. Minha paciente no conseguia 
prescindir da doce dor de ser incompreendida pela melhor amiga, muito embora dissesse que cada uma dessas 
brigas a matava de exausto. Tambm j tinha reconhecido h muito tempo que essa amizade estava 
superada e que s uma falsa ambio alimentava a idia de que ela pudesse se transformar numa relao ideal. 
A cliente j tinha tido com a me um relacionamento efusivo e fantasioso. Depois da morte da me, transferira 
seus sentimentos para a amiga. 
Essa interpretao pode ser resumida numa inica frase: Vejo muito bem que eu deveria transpor o rio e passar 
para o lado de l (isto , desistir da relao com a amiga); mas eu quero que as pinas (abraos) da amiga no 
me larguem, o que corresponde ao desejo infantil do abrao da me, naquele seu jeito conhecido e efusivo de 
me apertar contra o peito. O que h de incompatvel no desejo  a ligao homossexual subterrnea, da qual 
os fatos do sobejas provas. O caranguejo fisga-lhe o p. A paciente tem ps grandes, masculinos Na 
relao com a amiga  ela que desempenha o papel do homem, e tem fantasias sexuais a respeito. Como  
sabido, o p tem um significado flico. A interpretao global  essa: 
no quer separar.se da amiga por causa dos desejos homossexuais reprimidos que tem em relao a ela. Como 
esses desejos so moral e esteticamente incompatveis com a tendncia consciente da personalidade, so 
reprimidos e, por isso, mais ou menos inconscientes. O medo corresponde ao desejo reprimido. 
 bvio que esta interpretao desvaloriza gravemente o supremo ideal de amizade da paciente. No momento 
presente da anlise, ela j no teria levado a mal essa interpretao. Algum tempo atrs, certos fatos j a 
haviam convencido, praticamente, da existncia de uma tendncia homossexual, de tal modo que j lhe era 
possvel reconhec-lo francamente, apesar de isso no lhe ser muito agradvel. Se eu lhe tivesse comunicado a 
interpretao no atual estgio do tratamento, j no teria encontrado nela resqucios de resistncia. O mais 
dodo dessa tendncia importuna j estava superado pelo reconhecimento. Mas ela teria me interpelado assim: 
Por que perder tempo ainda com anlise desse sonho? S repete as mesmas coisas que j sei h muito 
tempo. Na realidade, essa interpretao nada acrescenta  paciente; por isso, no  interessante nem eficaz. 
No incio do tratamento teria sido simplesmente impossvel fazer tal interpretao, pois em hiptese alguma o 
excessivo pudor da paciente a teria aceito. O veneno do reconhecimento tinha que ser instilado com a maior 
cutela, em doses mnimas, pouco a pouco, at penetrar sua razo. No 
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A interpretao sinttica (construtiva) 
momento em que a interpretao analtica ou causal-redutiva no trouxer novidades, tornando-se repetitiva, 
torna-se oportuno, modificar o mtodo interpretativo. No caso em questo, o processo causal-redutivo 
apresenta certos inconvenientes. Em primeiro lugar, no leva em exata considerao as idias da paciente. Por 
exemplo, a associao da doena com cncer  ignorada. Em segundo lugar, o fato especfico da escolha do 
smbolo no  esclarecido. Por que a amiga-me tem que se apresentar justamente como caranguejo? Teria sido 
muito mais plstico e esttico se fosse uma ninfa (em parte ela o atraa, em parte ele submergia. . .) ou ento um 
plipo, um drago, peixe ou cobra teriam servido do mesmo jeito. Em terceiro lugar, o processo causal-redutivo 
esquece que o sonho  um fenmeno subjetivo. Conseqentemente, uma interpretao exaustiva nunca 
poder relacionar o caranguejo apenas com a amiga ou com a me, mas tem que atribu-lo tambm ao sujeito,  
prpria sonhadora. Esta  o sonho todo: ela  o rio, a travessia e o caranguejo, isto , esses elementos 
especficos so expresses de condies e tendncias existentes no inconsciente do sujeito. 
io Por isso introduzi a seguinte terminologia: a interpretao em que as expresses onricas podem ser 
identificadas com objetos reais  por mim denominada interpretao ao nvel do objeto. A esta 
interpretao contrape-se a que refere ao prprio sonhador cada um dos componentes do sonho; por 
exemplo, todas as pessoas que nele aparecem. A este procedimento dei o nome de interpretao ao nvel 
cio sujeito. A interpretao ao nvel do objeto  analtica, pois decompe o contedo do sonho em 
complexos de reminiscncias que se referem a situaes externas. A interpretao ao nvel do sujeito, ao invs, 
 sinttica, pois desliga das circunstncias externas os complexos de reminiscncias em que se baseia e os 
interpreta como tendncias ou partes do sujeito, incorporando-os novamente ao sujeito. (Numa vivncia eu 
no experimento apenas o objeto, mas a mim mesmo, em primeiro lugar; mas isso s quando tomo conscincia 
da minha experincia). Neste caso todos os contedos do sonho so concebidos como simbolos de contedos 
subjetivos. 
 O processo de interpretao sinttico ou construtivo consiste, portanto, na interpretao ao nvel do 
sujeito. 
A paciente no tem conscincia de que o obstculo a ser superado est dentro dela mesma:  uma zona 
limtrofe, difcil de transpor, que se interpe  continuidade do processo. No entanto,  possvel transpor a 
fronteira. Mas nesse exato momento surge a iminncia de um perigo inesperado e muito peculiar: algo de 
animal (desumano ou sobre-humano) que anda para trs e vai para o fundo, ameaando puxar para baixo 
tambm a sonhadora e sua personalidade. Esse perigo assemelha-se a uma doena mortal que se forma em 
algum lugar, secretamente, e  incurvel (prepotente). Segundo a imaginao da cliente, o empecilho  a amiga; 
 ela que a puxa para baixo. Enquanto no se livrar dessa crena, ela vai ter que influenciar a amiga: pux-la 
para cima, ensinar a melhor-la; vai ter de fazer o esforo intil e ineficaz de idealizar meios de impedir que seja 
puxada para baixo.  evidente que a amiga faz esforos idnticos do seu lado, porque se encontra na mesma 
situao que a paciente. Como galos de briga, as duas se atacam na tentativa de voar uma por cima da cabea 
da outra. Quanto mais alto uma pula, tanto mais a outra precisa atormentar-se para acompanh-la. Por qu? 
Porque ambas pensam que o problema est na outra, no objeto. A interpretao ao nvel do sujeito  a 
salvao nessa loucura completa. O sonho est mostrando  paciente que h algo dentro dela que a impede de 
transpor a fronteira, isto , de passar de uma situao ou atitude para outra. A interpretao da mudana de 
lugar como correspondendo a uma mudana de atitude ampara-se em certas lnguas primitivas, que para 
dizerem, por exemplo, estou a ponto de ir, empregam a expresso estou no lugar da ida. A compreenso da 
linguagem onrica requer naturalmente abundantes paralelos extrados da psicologia da simbologia primitiva e 
histrica, porque os sonhos provm essencialniente do inconsciente e este contm as possibilidades residuais 
das funes de todas as pocas anteriores da histria da evoluo. Neste sentido, temos o clssico exemplo da 
passagem da grande gua nos orculos do 1 i 
 evidente que tudo depende agora do que se entender pela figura do caranguejo. Antes de mais nada, 
sabemos que  
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algo que se manifesta na amiga (porque relaciona o caranguejo com a amiga) e que tambm se manifestava na 
me. Saber se essa qualidade  real na me e na amiga  irrelevante no que diz respeito  paciente. A situao 
s se modificar se ela prpria se modificar. A me no pode mais mudar, pois est morta. Nem se pode exigir 
que a amiga mude; se quiser mudar, o problema  dela. O fato de que a qualidade em questo j se manifestava 
na me  indcio de que so coisas da infncia. Qual o segredo da relao da paciente com a me e com a 
amiga? Pois bem, o que tm em comum  uma exigncia veemente e exuberante de amor, uma paixo que a 
subjuga inteiramente. Essa exigncia tem a caracterstica do desejo infantil dominador, que  cego, como se 
sabe. Trata-se aqui de uma parte da libido no educada, no diferenciada e no humanizada, de carter ainda 
impulsivo, coercitivo; logo, ainda no domesticado. O smbolo do animal  o mais apropriado para essa parte 
da libido. Mas por que o animal tem que ser justamente um caranguejo? A paciente o associa com o cncer, 
enfermidade (razo da morte de X, que morreu mais ou menos na idade atual da paciente). Logo, poderia tratar-
se vagamente de uma identificao com X. Por isso precisamos investigar. A paciente contou o seguinte a 
respeito de X: enviuvou cedo, era extremamente jovial e cheia de vivacidade. Teve uma srie de aventuras 
amorosas, sobretudo com um homem estranhssimo, um artista de grande talento que a paciente conhecia 
pessoalmente e que lhe causava uma impresso ao mesmo tempo esquisita, fascinante e sinistra. 
Uma identificao s pode produzir-se quando for baseada numa semelhana inconsciente, no realizada. Qual 
seria ento a semelhana da nossa paciente com X? Neste ponto pude lembr-la de uma srie de fantasias 
antigas e sonhos que tivera. Estes haviam mostrado nitidamente que ela tambm tinha uma veia muito leviana, 
mas sempre temerosamente reprimida pelo receio de que essa tendncia (sentida como tenebrosa) a seduzisse 
para uma vida dissoluta. Ganhamos assim mais uma contribuio fundamental para o conhecimento do 
elemento animal. Trata-se novamente da mesma nsia no domesticada, impulsiva, visando neste caso os 
homens. Isso nos leva a compreender mais uma razo por que no pode largar a amiga: precisa agarrar-se a ela 
para no sucumbir a essa outra tendncia, que lhe parece bem mais perigosa. Isso a retm num nvel 
homossexual infantil, que, no entanto, lhe serve de 
defesa. (A experincia nos ensina que este  um dos motivos mais fortes que impedem o rompimento de 
relaes inadequadas e infantis). Mas nisso tambm est sua sade, o germe de sua personalidade futura e 
sadia, que no se intimida diante das iniciativas a tomar na vida. 
Mas foi outra a concluso que a cliente tirou do destino de X. A doena fatal e sbita e sua morte prematura 
representam para ela um castigo do destino pela vida leviana dessa niulher (que a paciente, embora sem 
reconhec-lo, invejara). A atitude moralizante assumida pela paciente quando X morreu escondia uma 
satisfao malvola, muito humana, demasiado humana. Como castigo, o exemplo de X a fazia recuar 
agora, medrosamente, diante da vida e do seu desenvolvimento evolutivo, torturando-a com a sobrecarga de 
uma amizade inadequada. Evidentemente, todas essas conexes no estavam claras para ela, pois, se assim 
no fosse, nunca teria agido dessa forma. Com base no material, foi fcil provar o acerto dessa constatao. 
Mas com isso no estava encerrada a histria dessa identificao. A paciente s mais tarde salientou que X 
tinha notveis dons artsticos, somente desenvolvidos aps a morte do marido, que tambm a tinham 
conduzido  amizade com o artista. Ao que parece, as causas essenciais da identificao ligam-se a esta 
passagem, se nos lembrarmos daquilo que a paciente contara: o grande e estranho fascinio que sobre ela 
exercia o artista. Um tal fascnio nunca parte exclusivamente de uma pessoa para a outra, mas  um fenmeno 
de relao para o qual so necessrias duas pessoas, j que a pessoa fascinada precisa ter em si uma 
disposio correspondente. Mas a disposio tem que ser inconsciente, porque, se assim no for, no se 
produz o efeito fascinador. O fascnio  um fenmeno compulsivo, desprovido de motivao consciente, isto , 
no  um processo volitivo, mas um fenmeno que surge do inconsciente e se impe  conscincia, 
compulsivamente. 
Logo,  de se supor que a paciente possui uma disposio Semelhante (inconsciente)  do artista. Portanto, 
tambm se identifica com mii homem. Lembramo-nos da anlise do sonho, do trecho em que h uma insinuao 
ao masculino (o p). Na realidade, a paciente desempenha um papel masculino em relao  amiga:  ela a 
ativa, a que sempre d o tom e 
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manda na amiga e de vez em quando tambm a obriga a fa coisas que s ela est desejando. A amiga  
declaradame: 
feminina, inclusive na aparncia, ao passo que a paciente t um tipo um tanto masculino. Sua voz tambm mais 
forti mais grossa do que a da amiga. x  descrita como uma mul] muito feminina, comparvel  amiga em 
suavidade e amal dade, na opinio da paciente. Isso nos leva a uma nova pi A paciente representa, sem 
dvida, o papel do artista em ri o a X, mas o transfere  amiga. Assim se realiza, inconsci temente, a 
identificao com X e sua amante. Desta fori tem uma chance de viver sua veia leviana, to medrosame 
reprimida. Mas no a vive conscientemente: ela  represent por essa tendncia inconsciente, isto ,  possuda 
pelo pa de intrprete inconsciente de seu complexo. 
 Assim ficamos sabendo muito mais a respeito do car guejo. Ele representa a psicologia interior dessa parte 
no mada da libido. As identificaes inconscientes sempre a C( prometem de novo. Elas tm esse poder 
porque so mcc cientes, e assim no so passveis de compreenso e cora O caranguejo , portanto, o 
smbolo dos contedos inconsci tes. Estes fazem tudo para que a paciente no desista da lao com a amiga (o 
caranguejo anda para trs). Mas a rela com a amiga significa doena, pois foi ela que a tornou nerv 
 Para ser exato, esta passagem ainda pertencia  anlise nvel do objeto. Mas no devemos esquecer que s 
chegar a este conhecimento atravs da aplicao ao nvel cio suje Isto prova que se trata de um importante 
princpio heurstic Poderamos ficar satisfeitos com o resultado obtido, ma preciso submeter-se s exigncias 
da teoria. Nem todas as a ciaes da cliente foram levadas em conta, nem a significa da escolha do smbolo 
suficientemente esclarecida. 
 Retomemos a observao da paciente de que o carangu estava escondido debaixo da gua, sem que o tivesse 
visto an Isto porque antes ela no via as relaes inconscientes acabam de ser esclarecidas; estavam ocultas 
debaixo da  No entanto, o rio  o obstculo que a impede de atraves Pois eram justamente essas relaes 
inconscientes, que a p diam  amiga, que a impediam. O obstculo era o inconscie: 
A gua significa, portanto, o inconsciente, ou melhor, a mcc cincia, o estar oculto. O caranguejo tambm  
algo de inc ciente, mas na qualidade de contedo dinmico oculto no consciente. 
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